Urologista também cuida de mulher?
Quando falamos em urologia o que vem à cabeça de muitas pessoas é a saúde do homem, mas você sabia que o médico urologista também cuida da SAÚDE DA MULHER? O nome dessa área é UROGINECOLOGIA OU UROLOGIA FEMININA e ela é bem mais ampla do que parece. Isso mesmo, o médico que ganhou fama por cuidar do aparelho genital masculino também é especializado em doenças do aparelho urinário (rins e bexiga) de mulheres.
Não pense que as mulheres estão menos suscetíveis que os homens aos problemas urinários, pelo contrário, estão muito suscetíveis a estes problemas, podendo sofrer alterações no sistema urinário no sistema urinário durante a gravidez, no parto e quando chegam à menopausa. As infecções (cistites) e incontinência urinária são problemas que afetam ambos os sexos.
Abaixo estão algumas doenças e condições que a UROLOGIA FEMININA trata:
- Infecções urinárias
- Incontinência urinária
- “Bexiga baixa”
- Disfunções para urinar
- Dor pélvica
- Bexiga hiperativa
1 – INCONTINÊNCIA URINÁRIA
Na mulher a incontinência urinária muitas vezes é entendida como um problema de envelhecimento, razão pela qual muitas vezes a mulher demora procurar um tratamento. A incontinência urinária acomete um número bastante elevado de mulheres em sua fase produtiva. Trata-se de uma doença do trato urinário que afeta não somente o aspecto higiênico como também cria condições sociais bastante desfavoráveis. A qualidade de vida e a autoestima das pacientes é altamente afetada, podendo, inclusive, levar à depressão.
TIPOS E SINTOMAS DE INCONTINÊNCIA URINÁRIA
- INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO: O sintoma inicial é a perda de urina quando a pessoa tosse, ri, faz exercício, movimenta-se;
- INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE URGÊNCIA: Caracteriza-se pela vontade súbita de urinar que ocorre em meio as atividades diárias e a pessoa perde urina antes de chegar ao banheiro.
- INCONTINÊNCIA URINÁRIA MISTA: Aqui os dois tipos de incontinência referidos acima estão presentes.
O diagnóstico é realizado através do levantamento da história contada pela paciente, a elaboração de um diário miccional e se necessário um exame chamado estudo urodinâmico.
TRATAMENTOS
Para o paciente é importante saber que existe TRATAMENTO e não é normal ficar perdendo urina. As primeiras medidas serão TERAPIA COMPORTAMENTAL e FISIOTERAPIA DOS MÚSCULOS DO ASSOALHO PÉLVICO. Se a causa da incontinência urinária for BEXIGA HIPERATIVA podemos acrescentar alguns medicamentos (“REMÉDIO”). Caso essas condutas terapêuticas não tenham sucesso em impedir a perda urinária, temos como opção o tratamento CIRÚRGICO para a incontinência urinária.
SLING (“IMPLANTE DE TELA”)
É uma opção cirúrgica para a correção da INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO. Essa cirurgia consiste em colocar um suporte para restabelecer e reforçar os ligamentos que sustentam a uretra e promover seu fechamento durante o esforço, é a técnica mais utilizada e a que produz melhores resultados.
Ela é realizada por via vaginal, em geral a paciente fica um dia internada e o resultado é imediato, já sai do hospital sem perder urina. A recuperação é rápida, pouca dor e o retorno para suas atividades normais ocorre em curto prazo.
BOTOX®
Você não leu errado, nós urologistas também utilizamos o BOTOX como uma das nossas opções terapêuticas para o tratamento da incontinência urinária. Essa opção é para as pacientes que perdem urina devido a BEXIGA HIPERATIVA (hiperatividade detrusora) e que não responderam aos tratamentos iniciais (comportamental, fisioterapia e medicamentos).
Através de um aparelho especial (cistoscopio) é possível adentrarmos a bexiga e com uma agulha especial aplicamos a toxina botulínica em pontos específicos da bexiga. Essa técnica pode ser feita no centro cirúrgico com a paciente sedada (dormindo) e no próprio consultório com anestésico local.
NEUROMODULAÇÃO SACRAL ( “MARCA-PASSO DA BEXIGA”)
Essa é mais uma opção para os casos de incontinência urinária por BEXIGA HIPERATIVA que não responderam a todas as opções iniciais de tratamento (comportamental, fisioterapia e medicamentos).
Essa é uma modalidade terapêutica moderna, mais uma opção que veio a somar para os difíceis casos de hiperatividade detrusora refratária aos tratamentos atuais. Nesse procedimento implantamos um eletrodo próximo a raíz nervosa da coluna (S3) e ligamos esse eletrodo a um eletroestimulador externo e a paciente permanece utilizando esse aparelho por 3 a 7 dias. Nesse período através da análise de um diário miccional poderemos saber qual a porcentagem de melhora e se essa melhora for maior que 50%, realizamos o implante definitivo do gerador, que ficará localizado abaixo da pele e da camada de gordura. Todo esse procedimento é realizado no centro cirúrgico com anestesia local e uma leve sedação e a paciente receberá alta no mesmo dia.
O Dr. Elder Oliveira é especialista e oferece todas essas modalidades de tratamento. Se você perde urina ou conhece alguém que tem esse problema, já sabe que existem inúmeras possíveis soluções. Agende uma consulta para melhor avaliação e resolva de vez esse problema, afinal PERDER URINA NÃO É NORMAL!
2 – “BEXIGA BAIXA”
Prolapso genital, conhecido popularmente como bexiga caída, é um distúrbio provocado pela perda de sustentação não só da bexiga urinária, mas também de órgãos como a uretra, útero, intestino, reto e segmentos vaginais por causa da fragilidade dos músculos que constituem o assoalho pélvico.
Devido a anatomia feminina, as mulheres são mais suscetíveis à ocorrência de prolapsos. A prevalência desse problema é alta e pode aparecer em todas as faixas etárias, mas mulheres com muitos filhos e depois dos 60 anos correm risco maior de desenvolvê-lo.
Gravidez e partos múltiplos, eventos que tornam mais flácidos e delgados os músculos do assoalho pélvico, assim como obesidade, envelhecimento, alterações hormonais, e certas doenças musculares, neurológicas e genéticas são as principais causas do prolapso genital. Entre todas, porém, a mais importante é o aumento da pressão intra-abdominal durante a gravidez e no trabalho de parto, haja vista que a passagem do bebê provoca ruturas nos músculos que sustentam os órgãos situados na cavidade pélvica.
No início, o prolapso genital costuma ser assintomático. Com a evolução do quadro, porém, podem surgir um abaulamento na cavidade vaginal acompanhado de sensação de peso, que diminui em repouso e aumenta durante os exercícios físicos, e dor no baixo ventre (“pé da barriga”). Nos prolapsos de bexiga, é comum ocorrer um comprometimento miccional que vai desde perda involuntária da urina até a impossibilidade de urinar. Quanto ao controle fecal, as queixas são tanto de prisão de ventre (obstipação intestinal), quanto de crises de diarreia e tenesmo, isto é, a sensação de uma falsa necessidade de ir ao banheiro com frequência.
O tratamento consiste numa cirurgia que tem o objetivo de reforçar a musculatura do assoalho pélvico e corrigir as lesões, reconstruindo as estruturas. As correções sítio-específicas são feitas com pontos de aproximação dos tecidos. Podemos também utilizar telas de material sintético, praticamente imperceptíveis, para recobrir o assoalho. Em pacientes mais idosas, em condições mais frágil para a cirurgia, anéis de borracha (pessário) podem ser introduzidos nos locais afetados para corrigir provisoriamente o problema.
A cirurgia de SACROPROMONTOFIXAÇÃO é feita com a fixação do fundo vaginal ou colo do útero em uma tela sintética, que é fixada no promontório, sustentando as estruturas de forma definitiva. É considerado o padrão ouro para correção dos prolapsos mais extensos e pode ser realizada por LAPAROSCOPIA (“cirurgia dos furinho”) ou robótica.
3 – CISTITE
Cistite é uma infecção e/ou inflamação da bexiga. Em geral, é causada pela bactéria Escherichia coli, presente naturalmente no intestino e importante para a digestão, mas outros micro-organismos também podem provocar cistite.
Homens, mulheres e crianças estão sujeitos à doença. No entanto, ela é mais prevalente nas mulheres porque as características anatômicas femininas favorecem sua incidência. A uretra da mulher, além de muito mais curta do que a do homem, está mais próxima do ânus, o que favorece a passagem dos micro-organismos.
É uma doença que pode se apresentar em diferentes graus, do mais leve ao mais severo, podendo evoluir para uma infecção em outros órgãos. Estima-se que de 50 a 80% das mulheres apresentarão, em algum momento da vida, pelo menos uma ocorrência dessa doença.
Ainda nesse universo feminino, de 20 a 50% das que forem afetadas pela cistite apresentarão os sintomas repetidamente, o que caracteriza uma variação da doença chamada de CISTITE DE REPETIÇÃO
A cistite de repetição acontece quando a doença ocorre pelo menos três vezes ao ano ou duas em apenas seis meses. Nesse caso é muito importante que o médico faça o acompanhamento para que as causas das infecções sejam detectadas.
FATORES DE RISCO
1 – VIDA SEXUAL ATIVA:
O movimento sexual pode facilitar o deslocamento de germes da vagina e do ânus para a uretra, podendo se desenvolver e causar a cistite. Esse fator de risco é mais comum nas mulheres. Por não se tratar de uma doença infecciosa, a cistite NÃO é transmitida pelo compartilhamento de toalhas e banhos de piscina, por exemplo. A cistite não pode ser transmitida durante o ato sexual. Ainda assim, recomenda-se sempre urinar após a relação para eliminar bactérias do trato urinário.
2 – MENOPAUSA:
Na fase de pós-menopausa, as mulheres sofrem mudanças hormonais e fisiológicas que podem favorecer a penetração de micro-organismos.
Mesmo nunca tendo a cistite, nessa fase há grande possibilidade da mulher ser acometida por essa doença, principalmente causada pela síndrome genito urinária, que é a síndrome pós menopáusica por deficiência estrogênica.
Nessa fase, o epitélio vaginal e uretral perde o estímulo de renovação por falta do hormônio, ficando improdutivo, mais fino e mais propenso à penetração de micro-organismos locais que causam a cistite.
3 – GRAVIDEZ:
Nesse caso, a cistite também está relacionada às alterações hormonais e imunológicas que a mulher tem durante a gestação. Além disso o volume aumentado do útero afeta a micção e pode favorecer a doença;
4 – BAIXA IMUNIDADE:
Quando a imunidade está baixa, o sistema de defesa do organismo fica deficiente, o que favorece o desenvolvimento dessa e de outras doenças;
5 – MAUS HÁBITOS:
Comportamentos como beber pouco líquido, ficar muito tempo com o mesmo absorvente, “segurar” a urina por muito tempo e não ter hábitos de higiene íntima favorecem o desenvolvimento de bactérias que podem causar a cistite.
6 – USO DE SONDAS E CATETERES:
Pacientes que precisam desses materiais ficam mais suscetíveis à doença, pois eles podem lesionar os tecidos das vias urinárias e também facilitar a entrada de bactérias.
O tratamento inclui a administração de antibióticos que combatam a bactéria responsável pela infecção. Porém, em casos de cistite de repetição é muito importante também que outros cuidados sejam tomados pelo paciente para se evitar uma nova ocorrência. A saber:
- Não reter a urina por um longo período;
- Beber muito líquido, para ajudar a expelir as bactérias da bexiga;
- Evitar roupas íntimas que retenham calor e umidade, que possam facilitar a proliferação de bactérias;
- Trocar absorventes higiênicos com frequência;
- Manter bons hábitos de higiene pessoal, sempre tomando o cuidado de manter limpa a região da vagina e ânus;
- Passar o papel higiênico da frente para trás, para não levar as bactérias do ânus para a vagina;
- Sempre que possível, urinar após a relação sexual, para favorecer a eliminação das bactérias que ficam depositadas no trato urinário;
- Evitar o consumo de cigarro, bebidas alcoólicas, temperos fortes e cafeína, para não irritar o trato urinário;
- Praticar exercícios físicos e manter hábitos de alimentação saudáveis, para aumentar a imunidade.
O Dr. Elder Oliveira é especialista nesse problema e poderá ajuda-la após uma avaliação. Não precisa mais ficar sofrendo, agende uma consulta.
